Como de costume, por volta das seis da manhã, busco pães quentinhos, escurinhos na Padaria da esquina da Princesa  do Oeste. Mas num destes dias, deparei-me com situação constrangedora, quando o dono da padaria tocava a gritos, de forma ostensiva, um “pedinte” que circulava entre os carros, estacionados, na calçada da padaria, dirigindo-se ao pobre coitado de maneira arrogante e prepotente!

– Dá o fora Vagabundo! Desocupa!

Minha reação foi frágil e meio covarde diante dessa cena, ao mesmo tempo em que eu me dirigi ao pedinte escorraçado, para lhe dar um pão, como faço de vez em quando, ao mesmo tempo em que lhe dei um “bom dia”…, duvidei se meu cumprimento significava alguma coisa. Ele me disse como que desafiando o dono da padaria!

– Bom dia!  O senhor sempre me respeita, Obrigado!

Segui meu caminho, sentindo-me frágil por não  questionar aquele gesto de escárnio do proprietário dessa padaria famosa em Campinas. Fiquei pensando em deixar de ser seu cliente, ou em levantar uma bandeira de defesa dos fracos e tripudiados, talvez arranjando uma “causa” para atrair alguns que ainda acreditam no respeito…

Cheguei, em seguida, ao meu prédio e o porteiro me acolheu sorridente, com uma troca calorosa de cumprimentos… Ao entrar no elevador, uma simpática doméstica, companheira daquele pequeno trajeto, até o meu andar, me perguntou pelo meu filho a quem admirava pela sua atenção diária e paciente com todos os prestadores de serviço, também apelidados de serviçais…

Fiquei pensando o que eu deveria ter feito diante da cena de agressão ao pedinte na calçada da padaria às seis e meia da manhã…

Campinas, 19.06.2015